INFLUÊNCIAS DE MOUROS, ESPANHÓIS E

CIGANOS EM GRANADA

Em 711, os Mouros invadem o sul da Espanha, conhecida como a Andalusia.
Trouxeram muitos aspectos de sua cultura como melodias arabes,
danças, arquitetura e arte, que influenciaram os costumes locais.
Mesmo depois de terem se retirado da Espanha, podemos ouvir na musica árabe ou Espanhola,
influencias das duas culturas. 
A musica Andaluz é tocada no Marrocos,
Algeria, Tunisia e os seus ecos podem ser ouvidos no Oriente Medio.

 

Ilha moura da Península Ibérica,
Granada é uma mescla de culturas.
Africanos, ciganos e espanhóis convivem
numa espécie de harmonia caótica.
É quase impossível imaginar como três culturas

tão diferentes podem habitar

e adorar uma única cidade. Porém, assim acontece,

e para isso vejo uma explicação: não há uma única Granada.

É uma cidade múltipla, com diversas facetas que aparecem

 e tornam a se esconder, como num balé minuciosamente ensaiado.

A Granada dos mouros está cheia de labirintos e fontes.
Muralhas de 1000 anos, passagens subterrâneas,
arcos e arabescos, flores e azulejos.
E o imponente castelo da Alhambra, que tem as muralhas mais altas,
os arabescos mais detalhados, o jardim mais esmeradamente
cuidado e os azulejos mais azuis.
É o orgulho das dezenas de africanos muçulmanos
que migram para Granada todos os anos.
É o símbolo maior dos 800 anos de domínio muçulmano da cidade.

Há também a Granada dos reconquistadores,
cujos heróis são Fernão de Aragão e Isabel de Castelo.
Depois de 12 anos sitiando a cidade,
conseguiram finalmente expulsar o sultão,
que chorou ao passar pela última curva de onde
se podia ver a terra que por oito séculos foi de seu povo.
Essa é a Granada espanhola, católica fervorosa.
Após a reconquista, todas as mesquitas foram transformadas em igrejas,
seus minaretes foram derrubados e em seu lugar foram construídas
torres com sinos.

A terceira Granada, a cigana, parece ser filha das duas outras.
Das andanças pelo mundo e da mistura de diversas culturas
com mouros e espanhóis, surgiu um povo com características muito
particulares que sempre esteve em Granada.
Os ciganos, com suas roupas de cores fortes e suas correntes de ouro,
finalmente se fixaram na cidade.
Sua música, suas palmas e o violão agressivo impõem
aos granadinos um ritmo diferente do resto da Espanha.
São católicos e adoram seus ídolos de uma forma estranha:
durante a Semana Santa, a procissão dos ciganos é a mais animada.
Em vez de tristes "zaetas", são cantadas alegres canções flamencas
de amor à Virgem e ao Cristo.

 E quando a Virgem passa, todos gritam: "É linda! "

Talvez seja essa miscelânea que atraia a tantos turistas.
Mas não basta ser turista.
Não basta visitar a Alhambra, a Catedral e as cavernas dos ciganos.
É necessário ver a chuva lavando as ruas de pedra,
caminhar perdido pelos labirintos, ver a neve sobre a serra.
Sair pela noite, pegar ônibus, aproveitas um pouquinho do sol
para espantar o frio do inverno. Sentar em volta de uma mesa,
com os pés num braseiro, ver o sol se pôr, tomar chuva voltando para casa.
Ver cada rosa brotando com a chegada da primavera,

sentir o cheiro do pão,
comer doces de tâmaras. Ao contrário da chuva,
o doce balé granadino não é simplesmente observável;
para ser percebido, tem de ser vivido

 

 

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