DANÇA DO VENTRE- DANÇA TRANSFORMADORA

   

DANÇA DO VENTRE: 

UMA DANÇA TRANSFORMADORA

Quando buscamos fazer uma atividade física, supomos que apenas nosso corpo estará participando da mesma. Na verdade, por meio dessa entidade "corpo", uma simples mobilização pode causar um turbilhão em nossas emoções, e transformar nossa maneira de lidar com o mundo. Isso ocorre porque não podemos separar o corpo das emoções. Nossa postura corporal, então, reflete mais que encurtamentos musculares. Reflete nossa postura frente à diferentes situações.

 

Ao nascer chegamos com uma memória genética muito determinante. 

Depois, através de nossa convivência com os outros e com o ambiente que nos cerca, vamos, pouco a pouco, agregando novas peças ao nosso ser.

 Na adolescência perdemos o contato com o lúdico, com o nosso lado imaginativo, para cedermos espaço a um novo "adulto" 

permeado de travas e medos.

 

A dança pode ser um veículo que coloca novamente as pessoas em contato com sua criatividade, com os sonhos e esperanças. 

Acima de tudo, ela transmite uma linguagem simbólica rica, material vindo diretamente do inconsciente. 

Portanto, a dança possibilita externalizar nossos conteúdos internos. 

É o inconsciente que se torna consciente. 

A Dança do Ventre, mais especificamente, é uma modalidade que trabalha o corpo inteiro, requer atenção e cuidados especiais. Se a Dança do Ventre for praticada, por exemplo, por uma pessoa que tenha algum desvio postural, 

sem corrigir o problema, 

ela poderá intensificar ainda mais este desvio, trazendo danos futuros.

 

Este é o caso da hiperlordose lombar (bumbum arrebitado), responsável não só por dores na região lombar, como uma fraqueza e flacidez na região abdominal. Isso é muito comum entre dançarinas do ventre devido a uma falta de consciência corporal e, conseqüentemente, uma boa postura. Desse fato vem a idéia de que "a dança do ventre dá barriga". Essas dançarinas revelam através desse desvio pélvico o fator emocional da dificuldade de lidar com sua sexualidade, traçando um perfil totalmente contraditório.

 

A Dança do Ventre, quando ministrada por um profissional capacitado, vai possibilitar a aluna entrar em contato com suas limitações, dificuldades e habilidades. E nessa relação entre professora-aluna, pode-se (dependendo do momento de cada um) querer transpor suas dificuldades, ou não, respeitando o ritmo pessoal. Por isso, é fundamental uma relação de respeito, afabilidade, num clima de compreensão dos aspectos individuais.

 

Em primeiro lugar, a aluna tem de expor seu corpo, mostrar seu ventre. 

O primeiro passo da dança é o de aceitar-se. 

A partir do instante que passamos a nos aceitar como somos, que passamos a gostar de nós, abrimos uma porta para o outro também nos apreciar. 

Os movimentos da dança vão desmanchando as tensões corporais, soltando as amarras e liberando pontos reprimidos. 

A mulher passa a conhecer mais seu corpo, aprende a lidar melhor consigo e com o outro. 

Sua sexualidade passa a ser mais saudável 

diante de uma sociedade muito mais voltada para o teor masculino.

 

A feminilidade pode ser expressada de forma sacralizada, 

como era feito na antigüidade, em um tempo matriarcal. A sedução sutil e não a imposta é aprendida. 

Os problemas ginecológicos, como as cólicas menstruais, 

irregularidade no ciclo, dores, vão sendo dissolvidos por uma massagem interna realizada através dos movimentos da dança, 

associados à respiração diafragmática. 

As mobilizações ao redor da coluna feitas pelo pescoço, 

tronco e quadril, ensinam a quem se propõe a aprender esta dança o que é estar centrada, ao mesmo tempo que experimentam diferentes sensações causadas pelas trocas de postura. 

Ser uma mulher mais "entrona", quando o tórax inclina-se para frente; 

ser uma mulher tímida quando o tórax se comprime e os ombros fecham. Brincar com diferentes arquétipos, ganhando flexibilidade. 

Dançar o ventre é estar aberta ao centro gerador da vida, 

numa constante busca de si mesmo.

Colaboração: Merit Aton
Professora de Dança do Ventre e
Pesquisadora da Cultura Árabe.

http://www.melitaton.hpg.com.br/  

 

     

 

   

  

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