Os cuidados corporais na Dança do Ventre

   

 

Os cuidados corporais na Dança do Ventre – 

uma visão fisioterapêutica –

 MERIT ATON (capítulo do livro: "Dança do Ventre, Dança do Coração)

Em meio à rotina dos nossos dias, procuramos manter nosso corpo como foi-nos ensinado, o que assimilamos e criamos, formas de reagir frente à diferentes situações: dificuldades, alegrias, sustos, repressões etc...

Pouco a pouco formamos a nossa estrutura física que está fundamentalmente relacionada tanto à nossa personalidade quanto às vivências pelas quais passamos, os ambientes que fazemos parte, além da hereditariedade.

Voltamos os joelhos para dentro, os ombros para baixo, 

defendemo-nos como podemos do mundo, inclinamos o tronco para frente e segue-se uma série de respostas corporais, 

sejam elas passivas ou ativas aos estímulos externos. 

Buscamos diferentes equilíbrios que 

então se fixam e vêem esboçar nossa postura, 

muitas vezes para sempre, incluindo também a maneira que respiramos.

Para fazer uma atividade física, deve-se evitar a realização de movimentos estereotipados e inadequados à nossa estrutura corporal, 

movimentos que desgastam ou prejudiquem.

 Fazendo somente gestos que lubrifiquem 

nossas articulações com líquido sinovial, que vitalizem nosso campo físico.

A Dança do Ventre, é uma atividade que trabalha 

muitos grupos musculares, além de auxiliar no sistema 

circulatório, respiratório, na coordenação motora, memória, criatividade, consciência corporal, equilíbrio, noção tempo-espaço e auto-estima.

Embora pareça ser uma modalidade abrangente, 

que move o corpo de uma maneira praticamente não usada em outras danças, não é completa, 

já que a Dança do Ventre não trabalha alguns movimentos,

 tais como: abertura (virilha), flexão dos pés

(trabalha somente extensão - meia ponta) entre outros.

Portanto é imprescindível um preparo físico, com aquecimento,

 fortalecimento e alongamento das cadeias musculares. 

Desta forma, a Dança do Ventre deve sempre ser acompanhada de exercícios que agem como coadjuvantes dos recursos corporais.

Longe de ser uma atividade milagrosa,

 seus benefícios são alcançados com muita dedicação e persistência,

sendo um trabalho ilimitado no que diz respeito à metas.

O que acontece na maioria das vezes, é que acreditamos ser nosso corpo o responsável pelas dificuldades em executar determinados movimentos, quando na verdade o principal personagem ativo é o cérebro (estímulos do Sistema Nervoso)

Diariamente realizamos movimentos dos quais não percebemos conscientemente, movimentos estes já introjetados nos compartimentos da memória (Hipocampo - Cerebelo: planejamento e correção de movimentos voluntários); como: o simples caminhar, 

erguer o braço para alcançar um objeto etc...

O aprendizado da dança requer uma repetição sistemática dos movimentos para possibilitar a descoberta de como realizá-los e conseqüentemente memorizá-los. É fato conhecido que, quando executamos várias vezes a mesma atividade motora, ela passa a ser feita de forma mais ágil e com a possibilidade de um resultado com menos erros. 

Adquirimos, desta forma, habilidade e coordenação.

Outro aspecto importante a ressaltar, é que cada ser é individual, único e portanto, possui um ritmo pessoal para obter certos objetivos, o que dificulta um aprendizado em um sistema de academia que iguala todas as alunas em um mesmo padrão.

A Dança do Ventre possui indicações para mulheres e crianças de qualquer idade, no entanto existem algumas contra-indicações (como toda atividade corporal). Só deve ser realizada após avaliação médica, já que não deve ser feita em determinados períodos gestacionais (principalmente na gravidez de risco) , problemas na coluna vertebral, joelhos entre outros.

Muitos leigos acreditam que a Dança Árabe origina flacidez e aumento do abdome, mas isto só acontece com dançarinas com má formação corporal e postura incorreta. Esse é o caso da hiperlordose, o famoso "bumbum arrebitado", que além de ser um elemento ruim esteticamente, é também causador de lombalgias (dores lombares). 

Uma sobrecarga nesta região que é resultado de uma falta de apoio dos músculos abdominais e acompanhado algumas 

vezes de manter os joelhos sem flexão alguma.

A postura correta para o dia-a-dia (de pé), dentro de salas de aula de danças e espetáculos deve seguir o seguinte critério básico (segundo a Fisioterapeuta Eliana Tessitore):

Partindo desde os pés - que são muitas vezes causadores de problemas na coluna vertebral e joelhos quando mal colocados.

Os pés devem estar paralelos e próximos, apoiando o peso do corpo igualmente entre o dedão, dedinho e calcanhar (hálux, mínimo e calcâneo). Mesmo na meia ponta, a dançarina deve ter atenção na distribuição igual do peso do corpo sobre o dedão e o dedinho (osso metatarso - parte medial e lateral).

A distância entre os pés (abertura das pernas) é correspondente à distância entre as cristas ilíacas (ápice do osso do quadril na região anterior do corpo).

Mais acima, os joelhos devem estar sempre relaxados, semi flexionados, pois caso contrário poderá causar lesões durante os movimentos. Os mesmos devem ser mantidos para fora ou para frente, sem voltarem-se para o centro.

O quadril, ou báscula, deve estar centrado, isto é: quando colocamos uma mão na pelve e outra no osso sacro, elas devem estar paralelas || , não podendo estar assim \\ (hiperlordose) ou assim // (cifose).

O abdome tem de estar contraído para fortalecê-lo.

A região torácica elevada para cima, alongando-a, sem levar o tronco para frente ou para trás. Peito aberto.

Ombros colocados no seu lugar, sem subi-los ou mantê-los para frente (a corcunda também relaciona-se à projeção da cervical para frente, ocasionando dores nessa região do pescoço).

A cabeça deve estar paralela ao teto, enquanto o queixo ao chão, sem exagerá-lo para frente ou para trás.

Todo o corpo necessita estar relaxado nesta postura, podendo-se fazer a mesma com apoio da parede (facilita a percepção das cinturas: escapular, vertebral e pélvica), deitada no chão com os joelhos flexionados, ou mesmo sentado, trabalhando da báscula para cima. Sentindo o encontro dos ísqueos (fundo do osso do quadril) com o solo - Quando o quadril está centrado a percepção dos ísqueos é plena, pois o seu formato é parecido a letra "u".

Não importa se a mulher está começando a aprender a dançar ou é profissional da área, a falta de atenção e um preparo corporal mal elaborado podem gerar problemas irreversíveis, simplesmente pela professora desconhecer a importância do tema ou pela aluna não saber eleger alguém competente para ensiná-la. Através de uma visão holística do ser é possível obter resultados rápidos e saudáveis.

por Merit Aton, 

dançarina, musicista e estudante de Fisioterapia. 

Tem realizado um trabalho há 12 anos de Dança do Ventre integrado com diversas terapias. 

     

 

   

  

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